Porque é que todas as mães são autênticas padeiras de aljubarrota

 

14 Agosto de 1385. Brites de Almeida chegou a casa e viu a porta fechada. Estranhou de imediato e pôs-se á procura dos castelhanos. Mulher rija, e destemida, armou-se da sua pá de padeira, e procurou-os afincadamente.

Abrindo o forno lá os encontrou, 7 ao todo, ordenando-lhes que saíssem, viu que não reagiam. De imediato os espancou com a pá, e chamou outras mulheres das redondezas, organizando uma milícia para perseguir os intrusos, onde quer que os encontrassem.

21 Março de 2017. Isabel Fonseca saiu do trabalho depois de 8 extenuantes horas sentada a uma secretária a ouvir o chefe gritar e exigir. Pegou no carro, multado pela EMEL, e foi buscar os miúdos á escola. Um no Lumiar, outro em Benfica, e foi para casa.

Ao chegar viu a casa virada ao contrário, brinquedos em todo o lado, a televisão ligada desde a manhã, a roupa por passar, os miúdos a destrabelhar mais uns brinquedos que ainda não estavam no chão. Três gritos depois estavam a arrumar os brinquedos apressadamente, e “quando acabarem vão imediatamente tomar banho e vestir o pijama”, antes de pegar nas coisas para fazer o jantar.

Porque é que todas as mães são autênticas padeiras de aljubarrota?

Desde tempos imemoriais coube á mulher o papel de organizadora da família, do lar, das posses e da disponibilização do alimento. O mero trabalho do homem consistia na caça, e defesa primária. Apesar de aparentemente diferenciados, cabendo á mulher um papel menos perigoso e exposto.

Não obstante esta organização, em face dos períodos de ausência masculina, para efeitos de caça, coube igualmente é mulher um outro papel, de organizadora da defesa do lar nesses períodos.

Assim, obtemos uma dualidade de posições da mulher na sociedade, que convergiam na questão da defesa primária do lar, da prole, e de garantia de futuro para a espécie humana.

O caso do homem á mais simplificado, cabendo-lhe um papel mais livre perante estas questões, em face da alta mortalidade (acidentes de caça, luta, etc), cabendo-lhe, perante o lar, um papel mais de providenciador, seja da sua semente, seja da alimentação, tornando-o mais dispensável.

Á mulher cabe-lhe portanto um papel fundamental na sociedade, como garantia do futuro, desenvolvendo assim um conjunto de instrumentos que lhe permitem levar a cabo esta missão.

Desenvolveu assim uma capacidade de raciocínio e organização complexa superior á do homem, conforme ainda hoje se pode observar na nossa sociedade, não obstante as diferenciações populacionais, religiosas, etc, que apenas aparentemente nos distinguem.

Veja-se a diferenciação entre os povos do Norte da Europa (Dinamarca, Noruega, Suécia, etc), onde a ausência masculina do lar se tornou maior (viagens de navegação, conquista, etc), associado á superior mortalidade masculina, factores sempre associados ás dificuldades climáticas, obrigando a um desenvolvimento do papel da mulher como elemento mais dominador da sociedade, ainda hoje observado.

Em contraponto, no caso dos povos do Sul da Europa, e Norte de África, a permanência masculina perto do lar, associado á maior penetração dos aspectos religiosos, forçou a mulher a um papel aparentemente menor perante a sociedade.

Não obstante, é intrínseco á mulher, encontrando-se perfeitamente estudado e documentado, uma capacidade de trabalho, de organização, bem como de coragem perante a defesa do seu lar, dos seus filhos e da sua família, que, não se revelando nos moldes pré-históricos, se observa na resiliência, no proteccionismo, e na organização, dotando a mulher, no que respeita ás sociedades ocidentais, de um papel fundamental, bastante diferenciado do que se podia observar á 50 anos atrás.

Podemos ainda aqui colocar uma questão que nos parece altamente pertinente, e que, não querendo ferir susceptibilidades, nem adoptar posições femininistas, ou machistas, podemos expor.

Comummente na sociedade ocidental fala-se na questão de igualdade de géneros perante a sociedade, adoptando-se as posições mais extremistas em relação ao tema, acusando-se os antagonistas de femininismo ou machismo, consoante a posição, mas observando-se sempre uma convergência caracterizada pela “aproximação dos direitos da mulher dos direitos do homem perante a sociedade”.

Em face do mencionado, do papel, e dotação que a mulher tem intrínseca á sua femininalidade, e ás suas capacitações sociais, porque não dizer: “aproximação das capacidades do homem das capacidades da mulher”, já que o homem, salvo as questões físicas que hoje se apresentam descabidas de sentido na diferenciação entre géneros, é menos capacitado para papéis de organizador, estruturador, e elemento social.

21 Março 2017. 22h23m. Isabel Fonseca chega finalmente ao quarto, após 1 hora de fazer jantar, 1 hora a tentar dar jantar, 45 minutos a tentar adormecer quem não quer dormir. Despe a roupa e veste o pijama.

Estou tão cansado” diz Luís Fonseca ao entrar no quarto depois de entrar em casa, pousar a mala com o portátil e tirar os sapatos. “Acreditas que o meu patrão quis jantar comigo e com o VP para propor um novo negocio na Florida?”. “Sou um mártir? Aqui como sempre foi tudo fácil?

Sim” diz Isabel, virando-se para o lado e adormecendo imediatamente.

 

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